Brasília, 25 de fevereiro de 2026
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Política

Mandato vitalício no STF segue em discussão no Senado, mas ainda sem previsão para votação

Mandato vitalício no STF segue em discussão no Senado, mas ainda sem previsão para votação

Foto: Divulgação / TV Justiça

Brasília – O mandato vitalício dos membros do Supremo Tribunal Federal (STF) está sendo discutido no Senado Federal a partir de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 16, ingressada, ainda em 2019, pelo senador amazonense Plínio Valério (PSDB).

A proposta, que caminha a passos lentos no Senado, prevê um mandato de até oito anos para os membros da Suprema Corte e ainda aguarda um relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

“O Brasil tem a certeza de que quem manda na nação é o [ministro do STF] Alexandre de Moraes. E não é. Não devia ser. Quem manda, quem pode fazer algo contra o Supremo é o Senado Federal. Nós podemos chamar a responsabilidade e colocar freio no STF. É preciso. A democracia está em perigo. Quando um Poder usurpa a prerrogativa de outro Poder, algo vai mal na democracia. E a nossa democracia é nova, é recente, precisa de cuidado, de carinho e respeito”, disse o senador Plínio Valério.

Para aprovar a proposta, é preciso que o plenário do Senado Federal reúna o voto de 49 dos 81 senadores. A proposta também fixa o prazo de 120 dias para que a indicação do presidente da República seja feita. O objetivo é dar mais celeridade ao processo de indicação.

A proposta de PEC também fixa que a indicação do presidente da República ao STF seja feita em até um mês, após a saída do magistrado anterior.

Depois disso, o Senado teria um prazo de 120 dias para sabatinar o indicado ao cargo. Segundo a proposição, caso o chefe do Executivo não faça a escolha de um ministro, os parlamentares da Casa devem definir o nome dentro dos 120 dias.

A Corte Suprema conta com 11 cadeiras, mas apenas 10 estão ocupadas depois que Ricardo Lewandowski antecipou a aposentadoria do magistério no dia 11 de abril deste ano, medida que já teria contado com uma indicação presidencial se a proposta de emenda estivesse em vigor. Ele completou 75 anos no dia 11 deste mês de maio.

Atualmente, cada membro do STF conta com o ganho anual de quase meio milhão de reais por meio do salário de R$ 41.650,92 mensal e só saem do cargo público por meio de aposentadoria compulsória, aos 75 anos de idade.

Além do salário, conforme dados do portal da transparência do STF, cada ministro também conta com o apoio de aproximadamente R$ 1,5 milhão por ano e R$ 12 milhões anuais para auxílio-alimentação.  

Povo é contra vitaliciedade

Na opinião da consultora de vendas Roseane Barbosa, é absurdo que os ministros tenham tantas regalias, enquanto um cidadão comum tem que “sobreviver” com um salário mínimo e inúmeras dificuldades financeiras.

Veja o vídeo:

A consultora de vendas Roseane Barbosa se revoltou sobre os benefícios da Corte Suprema

Para o mecânico de bicicletas Jhon Wilson,  a proposta de mandato de oito anos é benéfica. Ele afirmou que isso tiraria o poder dos ministros de se acharem superiores à sociedade brasileira.

Veja o vídeo:

O mecânico Jhon Wilson é a favor da redução do mandato vitalício para oito anos

Questionado sobre a proposta do senador amazonense, o  advogado Cristiano Vilela, especialista em direito público, afirmou que entende a mudança como positiva, porém, aumentaria o tempo de mandato para 10 ou 12 anos.

“A PEC teria a característica de trazer novos olhares ao tribunal constitucional periodicamente, o que considero oportuno à luz de uma Constituição cuja interpretação deve acompanhar a evolução da sociedade. Por outro lado, acredito que o período de 8 anos é curto, diante da complexidade do cargo e que 10 ou 12 anos se mostraria um tempo mais adequado à sedimentação de posições na Corte”, disse o advogado.