Brasília, 15 de junho de 2026
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Facções brasileiras passam a ser tratadas como terroristas pelos EUA

Medida entrou em vigor nesta sexta-feira e gera preocupações econômicas e diplomáticas.

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Imagem ilustrativa gerada com auxílio de IA

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas entrou em vigor nesta sexta-feira (5). A medida, anunciada anteriormente pela administração do presidente Donald Trump, tem provocado reações do governo brasileiro e levantado debates sobre possíveis impactos econômicos, jurídicos e geopolíticos para o país.

O Palácio do Planalto criticou a iniciativa e argumenta que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional, respeitando a soberania dos Estados e suas competências sobre assuntos internos.

Governo brasileiro vê risco à soberania

A avaliação do governo federal é que a classificação pode abrir espaço para interpretações que permitam interferências externas em temas que dizem respeito exclusivamente às autoridades brasileiras.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil também demonstraram preocupação com os efeitos da medida. Segundo eles, a decisão pode criar precedentes para ações estrangeiras sob a justificativa do combate ao terrorismo.

O tema ganhou relevância porque os Estados Unidos vêm ampliando o uso dessa classificação para organizações criminosas em diversos países da América Latina, incluindo México, Venezuela, Equador e Colômbia.

Impactos econômicos preocupam especialistas

Além dos efeitos diplomáticos, especialistas alertam para possíveis reflexos na economia brasileira. Entre os setores que podem ser afetados estão turismo, comércio exterior, investimentos internacionais e operações do sistema financeiro.

A preocupação decorre do fato de que classificações relacionadas ao terrorismo costumam gerar exigências adicionais de compliance, monitoramento financeiro e avaliação de riscos por parte de empresas e instituições internacionais.

Na avaliação dos especialistas, esse cenário pode elevar custos operacionais para negócios brasileiros que mantêm relações comerciais com parceiros estrangeiros.

Medida coincide com disputas comerciais

A entrada em vigor da classificação ocorre poucos dias após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos recomendar uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, alegando supostas práticas comerciais desleais.

O documento também criticou o sistema Pix, apontando possíveis impactos sobre empresas norte-americanas do setor de pagamentos digitais. Posteriormente, o governo Trump anunciou a intenção de ampliar tarifas sobre importações de diversos países, incluindo o Brasil.

O governo brasileiro contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e afirmou que poderá utilizar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade para responder a eventuais barreiras comerciais impostas aos produtos nacionais.

Relações entre Brasil e EUA seguem em debate

Enquanto as medidas norte-americanas avançam, o governo brasileiro mantém o discurso de defesa da soberania nacional e do diálogo diplomático para tratar tanto das questões de segurança quanto das disputas comerciais.

A expectativa é que as discussões entre os dois países continuem nas próximas semanas, especialmente diante das possíveis consequências econômicas e políticas decorrentes das decisões anunciadas por Washington.

Com informações da Agência Brasil