Brasília, 15 de junho de 2026
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Política

PF vê poucas novidades em nova proposta de delação de Daniel Vorcaro

Investigadores avaliam que material apresentado ainda não justifica acordo de colaboração.

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Imagem de Daniel Vorcaro na prisão | Foto: Reprodução

A Polícia Federal avalia que a nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, ainda não reúne elementos inéditos suficientes para viabilizar um acordo de colaboração. A análise preliminar dos investigadores indica que o material complementar entregue pela defesa na última semana acrescenta poucas informações relevantes às apurações já em andamento.

Segundo fontes ligadas à investigação, o conteúdo apresentado não alterou a percepção da PF sobre o caso e, neste momento, a possibilidade de homologação do acordo continua enfrentando resistência entre os responsáveis pelas apurações.

Investigadores apontam falta de fatos novos

De acordo com integrantes da Polícia Federal, o novo anexo menciona supostos repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e cita o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar disso, os investigadores entendem que as informações não apresentam novidades substanciais e foram inseridas principalmente como justificativas dentro da proposta de colaboração.

Nos bastidores, permanece a avaliação de que Vorcaro ainda não forneceu fatos considerados relevantes o suficiente para contribuir de forma significativa com as investigações.

Defesa tem prazo para reforçar proposta

A defesa do banqueiro possui até esta semana para anexar novos elementos ao pedido de colaboração premiada e tentar convencer a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) da utilidade das informações apresentadas.

A negociação ocorre de forma conjunta entre PF e PGR, que analisam os possíveis benefícios de um eventual acordo para o avanço das investigações.

A decisão final sobre a homologação caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, responsável pela relatoria do caso.

André Mendonça acompanha negociações

Na semana passada, o ministro se reuniu com representantes da defesa de Vorcaro. Um novo encontro com o advogado Sérgio Leonardo, responsável pelas negociações, deve ocorrer nos próximos dias.

Segundo interlocutores, Mendonça tem acompanhado pessoalmente os desdobramentos da proposta e os documentos apresentados ao longo das negociações.

Fontes da PF relatam ainda que a defesa realizou reuniões frequentes com o banqueiro nas últimas semanas, algumas delas com duração superior a seis horas.

Investigação vai além de fraudes financeiras

A Polícia Federal afirma que a análise inicial de celulares apreendidos com Daniel Vorcaro revelou indícios que extrapolam possíveis fraudes financeiras.

Segundo os investigadores, as apurações também envolvem suspeitas relacionadas a corrupção, organização criminosa e utilização de estruturas privadas para monitoramento e obtenção de informações sigilosas.

No mês passado, a PF rejeitou uma primeira versão da proposta de colaboração por considerar que ela acrescentava pouco ao material já reunido pela investigação.

Negociação inclui devolução de recursos

De acordo com informações divulgadas anteriormente, a negociação do acordo também envolve a devolução de valores e a eventual comprovação de atos praticados por autoridades eventualmente citadas nos depoimentos.

Em maio, interlocutores do banqueiro informaram que Vorcaro teria concordado em elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso a colaboração premiada seja formalizada junto à Procuradoria-Geral da República.

Com informações do g1