Presidente Lula participa de evento internacional em meio a discussões sobre comércio exterior durante a cúpula do G7 | Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (13) para Évian-les-Bains, na França, onde participará da Cúpula do G7 como convidado. A viagem ocorre em um momento de tensão nas relações comerciais do Brasil com os Estados Unidos e a União Europeia, ampliando as expectativas sobre possíveis encontros bilaterais durante o evento.
Esta será a décima participação de Lula no encontro que reúne algumas das maiores economias industrializadas do mundo. A cúpula acontece entre os dias 15 e 17 de junho e terá como anfitrião o presidente francês Emmanuel Macron.
Tarifas dos EUA elevam tensão diplomática
Um dos principais focos da viagem envolve a relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano avalia a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O relatório do órgão aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais e cita temas como o Pix, que, segundo a avaliação americana, poderia prejudicar empresas de meios de pagamento dos Estados Unidos.
Apesar da expectativa, ainda não há confirmação de um encontro bilateral entre Lula e o presidente Donald Trump durante a cúpula.
Designação de facções também entra no radar
O encontro do G7 também marca o primeiro evento internacional de ambos os líderes após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras.
O governo brasileiro manifestou preocupação com a medida e defende que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional, respeitando a soberania dos países envolvidos.
A avaliação do Palácio do Planalto é que a classificação pode abrir espaço para sanções econômicas ou outras medidas que afetem interesses nacionais.
União Europeia amplia pressão sobre exportações
Outro tema que deve mobilizar a agenda brasileira é a decisão da União Europeia de proibir a importação de carnes, tripas, peixes e mel produzidos no Brasil.
A restrição, confirmada oficialmente pelo bloco europeu, está prevista para entrar em vigor em setembro e gerou preocupação entre representantes do governo e do setor produtivo.
Segundo integrantes do Itamaraty, a forma como a medida foi adotada causou surpresa e preocupação, especialmente diante do recente avanço das negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia.
Japão e Mercosul podem avançar em negociações
Entre os compromissos já confirmados de Lula está uma reunião com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
O encontro poderá abrir espaço para discussões sobre uma futura aproximação comercial entre o Japão e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Também existe a expectativa de uma reunião bilateral com o presidente francês Emmanuel Macron durante a programação oficial do evento.
Lula defenderá reforma da governança global
Durante as sessões de líderes do G7, Lula deverá defender o fortalecimento da cooperação internacional para o desenvolvimento e cobrar maior participação dos países ricos no financiamento de nações em situação de vulnerabilidade.
O presidente também pretende abordar a necessidade de reformas em instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
A agenda brasileira inclui ainda debates sobre crescimento econômico sustentável e os impactos da inteligência artificial na economia global.
Com informações da Agência Brasil





