Brasília, 16 de abril de 2026
×

Brasil

Canetas emagrecedoras: Anvisa e conselhos alertam sobre riscos

Anvisa, CFM, CFO e CFF assinam carta para reforçar uso seguro de medicamentos GLP-1 e combater irregularidades no Brasil.

canetas-emagrecedoras-anvisa-e

Caneta emagrecedora utilizada para aplicação de medicamento injetável - Foto: Lasca e Catedral Laboratório/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), assinou uma carta de intenção para promover o uso seguro de canetas emagrecedoras no Brasil. A iniciativa busca orientar profissionais de saúde e a população sobre os riscos associados ao uso inadequado desses medicamentos, conhecidos tecnicamente como agonistas do receptor GLP-1.

Segundo a Anvisa, a medida visa prevenir problemas sanitários, coibir práticas irregulares e garantir maior segurança no consumo desses produtos, que vêm ganhando popularidade nos últimos anos.

Por que as canetas emagrecedoras preocupam

O uso crescente de canetas emagrecedoras tem chamado atenção das autoridades de saúde, principalmente porque muitos desses medicamentos foram desenvolvidos originalmente para tratar doenças como diabetes e obesidade.

Com a popularização, houve aumento da procura fora das indicações médicas, o que pode trazer riscos à saúde. A Anvisa alerta que esse cenário tem sido acompanhado por irregularidades em diversas etapas, como importação, manipulação, prescrição e venda dos produtos.

Ações previstas pela Anvisa e conselhos

A carta assinada pelas instituições prevê uma atuação conjunta baseada em:

  • troca de informações técnicas
  • alinhamento entre órgãos reguladores
  • ações educativas para profissionais e pacientes

Além disso, a Anvisa informou que serão criados grupos de trabalho para acompanhar o tema. Um deles terá caráter estratégico, enquanto outro será voltado à discussão técnica entre os conselhos de saúde.

A iniciativa integra um plano mais amplo de combate a irregularidades envolvendo medicamentos GLP-1 no país.

Apreensão de medicamentos irregulares

Nesta semana, a Anvisa determinou a apreensão de dois produtos comercializados como canetas emagrecedoras: Gluconex e Tirzedral.

De acordo com a agência, os medicamentos não possuem registro, notificação ou autorização para uso no Brasil, o que impede qualquer garantia sobre qualidade, segurança ou composição.

A comercialização, distribuição e uso desses produtos foram proibidos em todo o território nacional.

Contrabando e venda ilegal no país

O aumento da demanda também tem impulsionado o mercado ilegal. Em uma operação recente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai com grande quantidade de canetas emagrecedoras e anabolizantes.

A apreensão ocorreu em Duque de Caxias, e um casal foi preso em flagrante com cerca de mil frascos contendo substâncias como tirzepatida, vendidas de forma irregular.

Riscos à saúde e alerta sobre pancreatite

A Anvisa já havia emitido, em fevereiro, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos do uso indevido desses medicamentos.

Entre as substâncias monitoradas estão:

  • dulaglutida
  • liraglutida
  • semaglutida
  • tirzepatida

Segundo a agência, o uso sem acompanhamento médico pode causar eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que pode evoluir para quadros fatais.

Por isso, o uso desses medicamentos deve ocorrer exclusivamente com prescrição médica e acompanhamento profissional.

Importância do uso responsável

Especialistas reforçam que medicamentos GLP-1 devem ser utilizados apenas para as indicações aprovadas, respeitando critérios clínicos e orientação médica.

A ampliação do acesso à informação e a atuação conjunta entre órgãos reguladores são consideradas essenciais para reduzir riscos e evitar o uso indevido.

O avanço no combate às irregularidades e a conscientização da população devem ser determinantes para garantir a segurança no uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil.

Com informações da Agência Brasil