Brasília, 28 de agosto de 2026
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DF está há 54 dias sem chuva e acende alerta para incêndios florestais

Baixa umidade e calor elevam risco de incêndios florestais, sem previsão de chuva nas próximas semanas.

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Estiagem prolongada aumenta o risco de incêndios florestais no Distrito Federal | Foto: Reprodução

O Distrito Federal está há 54 dias consecutivos sem chuva, cenário que aumenta o alerta para incêndios florestais durante o período de estiagem. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a última precipitação na capital federal ocorreu em 25 de junho, enquanto equipes atuam na prevenção, no monitoramento e no combate ao fogo.

Uma massa de ar seco sobre a região Centro-Oeste inibe a formação de nuvens. A baixa umidade relativa do ar, as temperaturas elevadas durante as tardes e os ventos de fracos a moderados também reduzem a umidade do solo e da vegetação do Cerrado, aumentando o risco de ignição e de propagação das chamas.

Segundo o Inmet, os baixos índices de umidade devem persistir nos próximos dias e podem atingir níveis críticos durante a tarde, com possibilidade de emissão de avisos meteorológicos. As temperaturas devem permanecer estáveis, com manhãs amenas e tardes de calor intenso.

No Plano Piloto, as mínimas devem oscilar entre 14°C e 16°C, enquanto as máximas ficam entre 30°C e 31°C. Nas demais regiões do DF, especialmente no Paranoá, as mínimas devem ficar, em média, 1°C abaixo das previstas para Brasília. As máximas podem ficar 1°C acima, com destaque para o Gama.

Prevenção contra incêndios florestais

Para reduzir o risco de avanço do fogo em áreas protegidas, equipes realizam ações contínuas para diminuir o material combustível. Em 2026, foram executados cerca de 300 hectares de queima prescrita e implantados 50 quilômetros de aceiros dentro das unidades de conservação.

O planejamento conta com 150 brigadistas contratados por dois anos, o que permite a manutenção das ações preventivas ao longo de todo o ano e a atuação antecipada antes do período mais crítico da seca.

O monitoramento das unidades de conservação também utiliza o Programa de Monitoramento de Áreas Queimadas (Promaq), responsável pela geração de mapas e relatórios periódicos.

Entre 2020 e 2024, as áreas com maior recorrência de queimadas incluíram os parques distritais Boca da Mata e Recanto das Emas, a Arie Granja do Ipê, a Floresta Distrital dos Pinheiros e os parques ecológicos Ezechias Heringer, Tororó e Riacho Fundo.

Também aparecem unidades federais, como o Parque Nacional de Brasília, a Floresta Nacional de Brasília e a Reserva Biológica da Contagem.

DF registra mais de 3,7 mil ocorrências

A operação Verde Vivo 2026 começou em abril e tem previsão de seguir até novembro, com ações ampliadas gradualmente conforme o avanço da estiagem. O trabalho concentra esforços no monitoramento, na prevenção e no combate aos incêndios.

Na fase mais crítica, o planejamento prevê até 169 combatentes e 35 viaturas diariamente, além de equipamentos especializados, aeronaves e drones. Em incêndios de grandes proporções, até mil profissionais adicionais poderão ser mobilizados.

Até o dia 16 deste mês, o Distrito Federal contabilizou 3.738 ocorrências de incêndio em vegetação. Desse total, 3.270 chamados foram registrados durante a operação Verde Vivo, com 1.096 ocorrências em julho e outras 1.012 entre os dias 1º e 16 de agosto.

Os números estão abaixo dos registrados no mesmo período de 2025, quando o DF contabilizou 4.346 ocorrências até 16 de agosto, sendo 3.512 durante a operação daquele ano.

Incêndios causam impactos ambientais

Os incêndios descontrolados provocam perda de biomassa e degradação do solo pela queima de matéria orgânica superficial. Entre as consequências estão o aumento da erosão, o assoreamento de cursos d’água, alterações na vegetação lenhosa e a redução da fauna nativa.

A fumaça também compromete a qualidade do ar e pode causar desconforto respiratório. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) durante o incêndio no Parque Nacional de Brasília, em 2024, registrou alterações na qualidade do ar e na rotina dos moradores da capital.

A legislação prevê sanções para queimadas irregulares. O uso do fogo para fins agropastoris sem autorização pode resultar em multa de R$ 1.000 por hectare ou fração, conforme o Decreto Federal nº 6.514/2008.

Quando o fogo atinge unidades de conservação, áreas de preservação permanente (APPs) ou outras áreas protegidas, a infração é considerada grave e pode resultar em penalidades superiores a R$ 50 mil, além do embargo da área e da obrigação de recuperação ambiental.

Cuidados durante o período de estiagem

A orientação é evitar o uso do fogo para limpeza de terrenos rurais e não queimar lixo, folhas secas ou restos de poda. Também não devem ser descartadas bitucas de cigarro em áreas de vegetação ou às margens de rodovias.

Fogueiras e fogos de artifício devem ser evitados nas proximidades de áreas verdes. Durante o período de baixa umidade, a recomendação é manter a hidratação, umidificar ambientes internos, evitar desperdício de água e reduzir a exposição direta ao sol entre 10h e 16h.

Ao identificar um foco de incêndio ativo, a orientação é manter distância e acionar o telefone de emergência 193, informando o endereço ou pontos de referência. Denúncias de infrações ambientais e queimadas irregulares também podem ser feitas pelo telefone 162.

Com informações da Agência Brasília