Brasília, 3 de maio de 2026
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Economia

Fim da escala 6×1 avança no Congresso e mobiliza trabalhadores

Mudança na jornada de trabalho pode garantir mais descanso e tempo com a família.

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Manifestantes protestam pelo fim da escala 6x1 com faixa em frente a local de trabalho | Foto: Letycia Bond/Agência Brasil

O fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate trabalhista no Brasil, com propostas em tramitação no Congresso Nacional e mobilização de trabalhadores durante o feriado de 1º de Maio. A possível mudança na jornada semanal busca ampliar o tempo de descanso e melhorar a qualidade de vida de milhões de brasileiros que atualmente trabalham seis dias seguidos para ter apenas um de folga.

A pauta tem ganhado força com relatos de trabalhadores que enfrentam rotina intensa e dificuldades para conciliar trabalho, família e obrigações pessoais. A expectativa é que novas regras sejam votadas nas próximas semanas.

Fim da escala 6×1 e rotina dos trabalhadores

Entre os trabalhadores afetados, a balconista de medicamentos Darlen da Silva, de 38 anos, relata os desafios da jornada atual. Há 15 anos no regime 6×1, ela afirma que o único dia de folga é insuficiente para descanso.

Segundo ela, a rotina semanal é marcada por tarefas domésticas acumuladas. Com duas filhas, o tempo livre é utilizado para resolver demandas da casa, como limpeza e compras, o que impede momentos de descanso.

Darlen destaca que o cansaço se prolonga ao longo da semana. Ela afirma que retorna ao trabalho ainda mais cansada após o dia de folga, devido à quantidade de tarefas que precisa cumprir.

Expectativa por mudança

A possibilidade de alteração na jornada é um tema frequente entre trabalhadores. Darlen afirma que há expectativa entre colegas de trabalho pela aprovação de novas regras.

Caso a mudança seja implementada, ela pretende reorganizar sua rotina. Um dos dias seria destinado às tarefas domésticas, enquanto o outro poderia ser usado para descanso ou lazer, como passeios.

Apesar disso, ela demonstra preocupação com a forma de aplicação das novas regras. Segundo relatos, alguns empregadores têm adotado modelos com dois dias de folga, mas com aumento da jornada diária para até 11 horas, o que pode intensificar o desgaste físico.

Tempo com a família e impacto social

O impacto da escala 6×1 também se reflete na vida familiar. O garçom Alisson dos Santos, de 33 anos, trabalha nesse regime há cerca de dez anos e afirma que o dia de folga costuma ser consumido por compromissos pessoais e familiares.

Ele relata que atividades como resolver questões escolares dos filhos e consultas médicas ocupam o único dia livre, impedindo momentos de descanso ou lazer.

Segundo Alisson, um segundo dia de folga permitiria melhor organização da rotina doméstica e abriria espaço para convivência familiar e até pequenas viagens.

Apoio de trabalhadores

Mesmo entre profissionais que não acompanham diretamente o debate, há apoio à proposta. A cabeleireira Izabelle Nunes, de 26 anos, afirma ser favorável à ampliação dos dias de descanso.

Ela destaca que dois dias de folga seriam importantes para atividades pessoais, como estudos, cuidados com a saúde e lazer. Para Izabelle, a atual jornada contribui para o desgaste físico e mental dos trabalhadores.

A professora Karine Fernandes, de 36 anos, também apoia a discussão. Embora não trabalhe na escala 6×1, ela considera a pauta relevante por seu impacto na qualidade de vida das famílias.

Karine ressalta que o aumento do tempo disponível pode beneficiar diretamente o desenvolvimento de crianças, ao ampliar a convivência com pais e responsáveis.

Propostas para o fim da escala 6×1 no Congresso

O fim da escala 6×1 está sendo analisado por meio de diferentes propostas no Congresso Nacional. Entre elas, está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com implementação gradual ao longo de dez anos.

Outra proposta, a PEC 8/25, sugere uma jornada de quatro dias de trabalho por semana, também limitada a 36 horas.

Além disso, o governo federal encaminhou um projeto de lei com urgência constitucional para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais e extinguir a escala 6×1. Nesse caso, o texto precisa ser votado em até 45 dias para não travar a pauta da Câmara dos Deputados.

Possíveis desdobramentos

A discussão sobre o fim da escala 6×1 deve se intensificar nas próximas semanas, com participação de parlamentares, especialistas e representantes dos trabalhadores.

A eventual aprovação das propostas pode alterar significativamente a dinâmica do mercado de trabalho no país, impactando setores produtivos e a rotina de milhões de trabalhadores.

A mudança também levanta debates sobre equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida, além da necessidade de adaptação das empresas a novos modelos de jornada.

Com informações da Agência Brasil