Brasília, 3 de maio de 2026
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Economia

Acordo Mercosul-UE entra em vigor após 20 anos

Entrada em vigor do acordo Mercosul-UE marca nova fase nas relações comerciais, com redução de tarifas e ampliação de mercados para exportadores.

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Bandeiras do Mercosul e da União Europeia lado a lado simbolizando acordo comercial.

O acordo Mercosul UE entrou em vigor nesta sexta-feira (1º), após 26 anos de negociações entre os dois blocos, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A medida passa a zerar tarifas de importação para mais de 80% das exportações brasileiras à Europa, com o objetivo de ampliar a competitividade das empresas e fortalecer a integração econômica.

O tratado representa um marco nas relações comerciais entre Mercosul e União Europeia. Assinado no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, o acordo estabelece regras comuns para comércio, reduz custos de exportação e amplia o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

Acordo Mercosul UE reduz tarifas comerciais

Com a entrada em vigor, mais de 80% dos produtos exportados pelo Brasil para a Europa passam a ter tarifa de importação zerada imediatamente, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao todo, mais de 5 mil itens já entram no mercado europeu sem custos adicionais de entrada.

A redução das tarifas impacta diretamente o preço final dos produtos, tornando-os mais competitivos frente a concorrentes internacionais. Entre os setores beneficiados estão bens industriais, alimentos e matérias-primas.

Indústria concentra ganhos imediatos

Entre os produtos com tarifa zerada, cerca de 93% pertencem à indústria, o que indica ganhos imediatos para o setor. Máquinas e equipamentos aparecem entre os principais beneficiados, com praticamente todas as exportações brasileiras para a Europa passando a entrar sem cobrança de tarifas.

Outros segmentos com impacto relevante incluem metalurgia, materiais elétricos, produtos químicos e alimentos. Itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas estão entre os produtos com maior potencial de expansão no comércio exterior.

Mercado europeu amplia alcance comercial

O acordo conecta economias que somam mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto trilionário. Com isso, o Brasil amplia significativamente seu alcance no comércio internacional.

Atualmente, os países com os quais o Brasil mantém acordos comerciais representam cerca de 9% das importações globais. Com a inclusão da União Europeia, esse número pode ultrapassar 37%, ampliando as oportunidades para exportadores brasileiros.

Além da redução de tarifas, o tratado define padrões técnicos e regras para compras governamentais, proporcionando maior previsibilidade e segurança jurídica para empresas.

Cronograma prevê redução gradual

Apesar dos efeitos imediatos, nem todos os produtos terão tarifas eliminadas de forma instantânea. Para setores considerados sensíveis, a redução será gradual, permitindo adaptação das economias envolvidas.

O cronograma prevê prazos de até 10 anos para a União Europeia e até 15 anos para o Mercosul, podendo chegar a 30 anos em casos específicos. A medida busca equilibrar a abertura de mercado com a proteção de setores mais vulneráveis à concorrência internacional.

Próximas etapas do acordo

A aplicação do acordo ocorre inicialmente de forma provisória, por decisão da Comissão Europeia. O Parlamento Europeu encaminhou o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia, que ainda avaliará sua compatibilidade jurídica. O processo pode levar até dois anos.

Durante a cerimônia de promulgação, realizada na última terça-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o caráter estratégico do tratado, afirmando que o acordo reforça o compromisso com o multilateralismo e a cooperação internacional.

Entidades empresariais dos dois blocos devem acompanhar a implementação para orientar empresas e garantir o aproveitamento das novas oportunidades comerciais.

O início da vigência marca uma nova etapa na relação entre Mercosul e União Europeia, com expectativa de crescimento nas exportações brasileiras e maior integração econômica global.

Com informações da Agência Brasil