Brasília, 1 de julho de 2026
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Brasil

SUS receberá R$ 9,8 bilhões para enfrentar impactos das mudanças climáticas

Plano do Ministério da Saúde prevê ações contra eventos extremos, ondas de calor e efeitos do El Niño até 2035.

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O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (3) um plano nacional para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos impactos das mudanças climáticas e do fenômeno El Niño. A estratégia prevê investimento de R$ 9,8 bilhões até 2035 para ampliar a capacidade de resposta da rede pública a eventos climáticos extremos e reduzir os riscos à saúde da população.

O programa reúne 27 metas e 93 ações voltadas à prevenção, monitoramento e atendimento de emergências climáticas, com foco na proteção das regiões mais vulneráveis e no fortalecimento da estrutura do SUS.

Plano amplia resposta a eventos extremos

A iniciativa está organizada em cinco eixos estratégicos: coordenação entre os órgãos públicos, fortalecimento da capacidade da rede de saúde, comunicação com gestores e população, vigilância de riscos climáticos e reforço de insumos essenciais.

Entre as medidas previstas estão a emissão de alertas antecipados, a mobilização de equipes especializadas, o monitoramento de riscos sanitários e epidemiológicos e o reforço no fornecimento de medicamentos, vacinas, água potável e estruturas de resposta rápida.

O plano também prevê a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima distribuídos pelas cinco regiões do país. A primeira unidade será inaugurada na Bahia.

Sistema vai monitorar ondas de calor

Outra novidade será a implantação do Painel Nacional de Excesso de Calor, ferramenta que auxiliará no monitoramento dos riscos provocados por temperaturas extremas.

O sistema contará com alertas emitidos com até cinco dias de antecedência para apoiar ações de vigilância, prevenção e resposta das autoridades de saúde.

Além disso, a Força Nacional do SUS será ampliada para oito bases distribuídas pelo país, permitindo atendimento mais ágil em situações de desastre, emergências de saúde pública e grandes eventos.

Segundo o Ministério da Saúde, a meta é que as equipes consigam chegar ao local de qualquer emergência em até 12 horas e iniciar ações compatíveis com a gravidade do evento em até 72 horas.

Idosos terão protocolo específico

O plano também prevê orientações específicas para proteger idosos durante períodos de calor intenso.

As recomendações incluem oferecer água mesmo sem sensação de sede, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes, manter os ambientes ventilados, acompanhar o uso correto de medicamentos contínuos e utilizar soro fisiológico em casos de ressecamento dos olhos e das narinas.

Ministério trata crise climática como desafio à saúde

Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as mudanças climáticas representam uma das principais ameaças à saúde pública.

Segundo ele, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou cerca de 120 mil mortes nos últimos 20 anos relacionadas ao aumento da temperatura média em diferentes regiões do Brasil.

Para o ministro, reduzir as emissões de carbono continua sendo essencial, mas adaptar os sistemas de saúde às novas condições climáticas tornou-se uma necessidade urgente para proteger a população.

Com informações da Agência Brasil