Brasília, 29 de maio de 2026
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Brasil

Governo registra mais de 574 mil bloqueios em sites de apostas

Maioria dos usuários cita perda de controle e impactos na saúde mental.

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Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Mais de 574 mil brasileiros já recorreram à Plataforma Centralizada de Autoexclusão para bloquear o próprio acesso a sites de apostas autorizados no país. A ferramenta, criada pelo governo federal, vem sendo utilizada principalmente por pessoas que relatam dificuldades para controlar o hábito de apostar e impactos relacionados à saúde mental.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que 207 mil usuários — o equivalente a 41% dos pedidos registrados — apontaram perda de controle sobre os jogos e possíveis danos emocionais como principal motivo para aderir ao bloqueio voluntário.

Outros fatores também aparecem entre as justificativas apresentadas pelos usuários. Segundo o levantamento, 18% citaram preocupação com vazamento de dados pessoais e 12% relataram problemas financeiros associados às apostas online. Além disso, 14% não informaram a motivação da decisão e 13% disseram que optaram pela autoexclusão de forma preventiva e voluntária.

A plataforma foi desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e entrou em funcionamento em dezembro de 2025. O sistema permite que o usuário solicite, em um único procedimento, o bloqueio simultâneo de acesso a todos os sites de apostas autorizados a operar no Brasil.

Plataforma impede novos cadastros

Ao aderir à autoexclusão, o usuário precisa informar dados pessoais e escolher o período de bloqueio das contas. O prazo pode variar entre um mês e 12 meses, além da possibilidade de restrição por tempo indeterminado.

Segundo os dados do governo federal, 69% das pessoas optaram pelo bloqueio sem prazo para encerramento. Já entre os usuários que escolheram um período determinado, o prazo de um ano foi o mais solicitado.

Além de bloquear todas as contas vinculadas ao CPF do usuário, o sistema também impede novos cadastros em plataformas de apostas e suspende o envio de publicidade direcionada relacionada às bets.

A medida faz parte da estratégia do governo para ampliar mecanismos de prevenção e reduzir danos relacionados ao uso excessivo de jogos online.

Sistema reúne orientações e autoteste

Além da função de bloqueio, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão oferece orientações sobre saúde mental e reúne links de atendimento disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas que enfrentam consequências relacionadas ao uso problemático das apostas.

A ferramenta também disponibiliza acesso à lista oficial de empresas autorizadas a atuar no Brasil, um questionário elaborado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para avaliação da saúde financeira do usuário e um autoteste desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo busca criar mecanismos de proteção diante do avanço das apostas online no país.

“Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população”, declarou em nota.

Segundo o ministro, a plataforma integra uma estratégia mais ampla de prevenção, cuidado e redução de danos associados às apostas esportivas e jogos online.

Pesquisa nacional vai analisar impactos das bets

O Ministério da Saúde também anunciou investimento em pesquisas para avaliar os efeitos das apostas na saúde da população brasileira.

Nesta terça-feira (26), a pasta assinou um Termo de Execução Descentralizada (TED) que prevê o repasse de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS.

O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deverá analisar os impactos das bets no cotidiano dos brasileiros. A previsão é que a pesquisa tenha início ainda em 2026.

O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com dificuldades relacionadas às apostas procurem atendimento em unidades básicas de saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou profissionais de saúde especializados.

Com informações da Agência Brasil