Brasília, 28 de agosto de 2026
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Brasil

Rio de Janeiro tem segunda maior população em situação de rua do país

Estado reúne 35.406 pessoas nessa condição inscritas no CadÚnico, atrás apenas de São Paulo.

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Rio de Janeiro reúne 35.406 pessoas em situação de rua registradas no CadÚnico | Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

O Rio de Janeiro tem a segunda maior população em situação de rua do país, com 35.406 pessoas registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Os dados ganham destaque nesta quarta-feira (19), quando é lembrado o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua.

Diante de um cenário marcado pela pobreza extrema, pelo rompimento de vínculos familiares e pelas dificuldades de acesso à moradia e ao trabalho, o Legislativo estadual aprovou leis voltadas à ampliação do acolhimento, à garantia de direitos e à criação de alternativas para a autonomia dessa população.

Em maio de 2026, o CadÚnico contabilizava 388.855 pessoas em situação de rua no Brasil. São Paulo liderava o levantamento, com 159.290 registros, seguido pelo Rio de Janeiro. Minas Gerais aparecia na terceira posição, com 34.849.

Política estadual garante acesso a direitos

A Lei 9.302/21 instituiu a Política Estadual para a População em Situação de Rua. A norma define esse grupo como aquele marcado pela extrema pobreza, pela fragilização ou rompimento dos vínculos familiares e pela inexistência de moradia convencional regular.

A legislação assegura acesso amplo e simplificado às políticas públicas de saúde, educação, assistência social, moradia, segurança, cultura, esporte, lazer, trabalho e renda.

A norma também prevê uma rede de acolhimento temporário, ações de segurança alimentar, qualificação profissional, intermediação de empregos e programas habitacionais acompanhados por equipes multidisciplinares.

A medida ainda proíbe discriminação no atendimento em razão da condição econômica, étnico-racial ou de saúde, inclusive em situações relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.

Capital concentra maior número de registros

Entre os municípios fluminenses, a cidade do Rio de Janeiro concentra a maior população em situação de rua inscrita no CadÚnico, com 22.352 pessoas. Niterói aparece com 1.015 registros, seguida por Duque de Caxias, com 977, e Nova Iguaçu, com 727.

Volta Redonda tem 488 pessoas cadastradas nessa condição, enquanto São Gonçalo registra 484; Maricá, 471; Macaé, 402; Cabo Frio, 333; e Petrópolis, 305.

Escritor relata trajetória de recomeço

Entre as histórias de superação está a do escritor Leonardo Motta, que viveu nas ruas durante um ano e três meses após enfrentar duas décadas de dependência de álcool e outras drogas. Atualmente, ele está sóbrio há nove anos, é casado, mora na Ilha de Paquetá e tem três livros publicados.

“O que me levou a essa situação foi a dependência química. Usei drogas durante 20 anos, entre álcool, cocaína e crack. Consegui sair das ruas quando aceitei ajuda e fui para uma instituição de tratamento, onde permaneci por sete meses”, relatou.

Leonardo também é autor da Revista na Calçada, publicação de poesia dedicada a dar visibilidade às experiências da população em situação de rua. Nesta quarta-feira, ele participa de uma atividade na Biblioteca Estadual, na Avenida Presidente Vargas, no centro, para apresentar o trabalho e promover um debate sobre a realidade das ruas.

“O conselho que deixo para quem está nessa situação é que aceite ser ajudado. De um lado, existe alguém disposto a ajudar; do outro, é preciso que a pessoa também aceite essa ajuda”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil