Brasília, 30 de agosto de 2026
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Hospital de Base ajuda na recuperação de transtornos alimentares

Hospital de Base é a única unidade do SUS no DF com atendimento estruturado para esses casos.

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Foto: Divulgação/IgesDF

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) tem transformado a vida de pessoas que enfrentam transtornos alimentares ao oferecer atendimento ambulatorial especializado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Única unidade da rede pública do Distrito Federal com esse tipo de serviço estruturado, o hospital reúne psiquiatras, psicólogos e nutricionistas para acompanhar pacientes de forma integrada.

O atendimento multiprofissional tem sido fundamental para ajudar pessoas a retomarem a saúde física e emocional. Um dos exemplos é o de Maria Eduarda, nome fictício utilizado para preservar a identidade da paciente, que iniciou sua recuperação após anos de sofrimento causados pela relação distorcida com a alimentação e a própria imagem.

Transtornos alimentares afetam milhões de brasileiros

Neste 2 de junho, Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas convivem com algum transtorno alimentar em todo o mundo.

No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 11 milhões de pessoas apresentem algum tipo de distúrbio relacionado à alimentação, condição que pode causar sérios impactos físicos e psicológicos quando não tratada.

Maria Eduarda relata que a preocupação excessiva com a aparência começou ainda na adolescência. O desejo de emagrecer evoluiu para práticas cada vez mais restritivas, comprometendo sua saúde e levando à necessidade de internação.

“Eu estava tão mal que comecei a sentir dor, meu corpo já não aguentava mais. Cheguei a perder o movimento das pernas. Não conseguia fazer nada sozinha, nem levantar o braço. Eu percebi que precisava de ajuda, mas, ao mesmo tempo, me achava bonita”, relembra.

Redes sociais podem aumentar a pressão estética

De acordo com o psiquiatra Geison Machado, a exposição frequente a padrões estéticos nas redes sociais pode contribuir para o surgimento dos transtornos alimentares, especialmente entre adolescentes.

Segundo o especialista, a comparação com outras pessoas faz parte do desenvolvimento humano, mas o contato precoce e intenso com conteúdos que reforçam padrões de beleza pode aumentar a cobrança sobre a aparência e favorecer comportamentos de risco.

Durante o tratamento, Maria Eduarda passou a rever hábitos e atitudes que influenciam sua percepção corporal. Entre as mudanças, estão o cuidado com os conteúdos consumidos nas redes sociais e o desenvolvimento de estratégias para lidar com impulsos relacionados à alimentação.

Atendimento reúne diferentes especialidades

No Hospital de Base, o acompanhamento é realizado de forma conjunta por psiquiatra, psicólogo e nutricionista. A proposta é oferecer um cuidado completo, capaz de atender às diferentes necessidades dos pacientes ao longo da recuperação.

Segundo Geison Machado, o trabalho integrado fortalece a escuta, melhora o manejo clínico e contribui para resultados mais efetivos durante o tratamento.

Maria Eduarda afirma que chegou ao serviço com receio de não ser compreendida, mas encontrou acolhimento desde a primeira consulta. “Tive muito medo de não levarem o meu problema a sério, mas me ajudaram muito. Não me senti julgada em nenhum momento. Foi algo muito importante pra mim. Agora, sinto que vou conseguir seguir com o tratamento até o final”, relata.

O atendimento ambulatorial para transtornos alimentares do Hospital de Base está disponível para toda a população do Distrito Federal. Para acessar o serviço, é necessário apresentar encaminhamento médico da rede pública ou privada para agendamento da avaliação.

(Obs.: *nome fictício para preservar a identidade da paciente)

Com informações da Agência Brasília