Brasília, 22 de abril de 2026
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Meio Ambiente

Estudo investiga origem de tartarugas em Arraial do Cabo

Estudo revela rota inédita de tartarugas marinhas que saem do litoral brasileiro e atravessam o Atlântico até a costa africana.

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Tartaruga marinha em praia brasileira | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Tartarugas em Arraial do Cabo: estudo busca origem

Projeto científico investiga de onde vêm tartarugas marinhas que vivem no litoral do Rio, área com maior densidade desses animais no Brasil.

Pesquisadores realizam um estudo para identificar a origem das tartarugas marinhas que vivem em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A iniciativa ocorre em uma área com a maior concentração desses animais no país e busca entender a conexão entre locais de nascimento e alimentação.

A pesquisa é conduzida pelo Projeto Costão Rochoso, com apoio de instituições científicas, e envolve captura controlada, exames e análise genética para mapear a trajetória das espécies ao longo da vida.

Pesquisa com tartarugas em Arraial do Cabo

O monitoramento acontece na Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo, onde mergulhadores capturam temporariamente os animais para avaliação. A atividade ocorre sob autorização ambiental e não representa risco à fauna.

Segundo os pesquisadores, o objetivo é coletar dados que permitam identificar de onde essas tartarugas vieram e quais populações dependem da região.

O litoral da cidade é considerado um dos principais pontos de alimentação para tartarugas-verdes no Brasil.

Exames e coleta de dados das espécies

Após a captura, os animais passam por uma série de exames, que incluem medição, pesagem e coleta de tecido para análise genética.

A bióloga Juliana Fonseca explica que o procedimento funciona como uma espécie de biópsia, utilizada para rastrear a origem dos indivíduos.

Além disso, os pesquisadores registram características físicas detalhadas, como casco, nadadeiras e até as unhas, garantindo um acompanhamento completo da saúde das espécies.

Uso de DNA para identificar origem

O estudo utiliza análise de DNA para descobrir onde as tartarugas nasceram. Desde 2018, cerca de 500 indivíduos já foram catalogados, e aproximadamente 80 passaram por coleta genética.

As análises são realizadas em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), com previsão de resultados em até seis meses.

Os pesquisadores também utilizam fotografias e softwares para identificar cada animal, com base em padrões únicos presentes na cabeça das tartarugas.

Comportamento e ciclo de vida das tartarugas

De acordo com o estudo, as tartarugas chegam jovens ao litoral brasileiro após uma fase oceânica que dura cerca de cinco anos.

Em Arraial do Cabo, encontram condições ideais para crescimento, permanecendo na região por até 25 anos antes de retornar ao local de nascimento para reprodução.

Esse comportamento reforça a importância da área como ponto estratégico para o desenvolvimento das espécies.

Aproximação humana e riscos aos animais

Outra linha da pesquisa avalia o impacto da presença humana sobre as tartarugas. Os cientistas estudam a distância mínima que os animais suportam sem alterar seu comportamento.

A iniciativa surge após registros frequentes de interação inadequada por parte de turistas, como tentativas de toque e captura.

Os dados servirão de base para a criação de uma cartilha de boas práticas voltada ao turismo sustentável.

Conservação depende de cooperação

A pesquisa destaca a importância de ações integradas para preservar as tartarugas marinhas, incluindo fiscalização, educação ambiental e cooperação entre instituições.

As atividades são realizadas com autorização de órgãos como o ICMBio e o Projeto Tamar, referência internacional em conservação marinha.

A expectativa é que os resultados contribuam para políticas públicas mais eficazes e ampliem o conhecimento sobre a biodiversidade marinha.

Com informações da Agência Brasil