Brasília, 15 de outubro de 2026
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Meio Ambiente

Governo investiga possível ação organizada em incêndios no Amazonas

Força-tarefa já abriu 120 procedimentos para apurar suspeitas de crimes ambientais no estado.

Governo federal investiga possível ação organizada nos incêndios florestais do Amazonas. | Foto: Ibama/Divulgação

O governo federal investiga a possibilidade de uma ação organizada por trás dos incêndios florestais que atingem o Amazonas. Até o momento, as equipes da força-tarefa responsável pelo combate às queimadas abriram 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência para apurar possíveis condutas criminosas relacionadas ao fogo.

Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (14), em Manaus, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, voltou a afirmar que os incêndios tiveram origem em ações humanas e anunciou o aprofundamento das investigações para identificar os responsáveis.

“Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso. E vamos punir aqueles que forem identificados de forma exemplar para que não fique na região uma sensação de impunidade”, declarou.

As apurações envolvem a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil do Amazonas, em conjunto com outras forças de segurança.

Governo apura suspeita de incêndios criminosos coordenados

Segundo Capobianco, existe a suspeita de que os incêndios possam estar relacionados a uma atuação organizada, semelhante a episódios registrados anteriormente no país.

O ministro mencionou o chamado “Dia do Fogo”, associado, segundo seu relato, a mais de dois mil incêndios simultâneos registrados em São Paulo e no Pará, em 2024.

Diante dessa possibilidade, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também participa das apurações para verificar se há indícios de uma ação coordenada no Amazonas.

“Existe uma suspeita de ação organizada. Por isso, além de todos os que estão aqui, todas as investigações, também temos a participação da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência, para verificar se está se repetindo aqui o que ocorreu em outro momento no chamado ‘Dia do Fogo’”, afirmou.

Os responsáveis por provocar incêndios florestais podem receber multas administrativas de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare ou fração, conforme o enquadramento da infração.

As penalidades também podem incluir embargo das áreas atingidas, apreensão de equipamentos e responsabilização criminal, com possibilidade de prisão.

Fumaça provoca suspensão de aulas em Manaus

Os incêndios florestais têm provocado grandes nuvens de fumaça e prejudicado atividades em diferentes cidades do Amazonas.

Na capital, a deterioração da qualidade do ar levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam).

Capobianco destacou os impactos ambientais e sociais das queimadas e reforçou a necessidade de responsabilizar os envolvidos.

“A população de Manaus foi tremendamente prejudicada e está sendo tremendamente prejudicada. Há uma destruição ambiental em curso e nós precisamos punir os responsáveis porque são incêndios criminosos”, afirmou.

O ministro também comentou a concentração de fumaça sobre Manaus e explicou que a melhoria da qualidade do ar dependerá, em parte, das condições dos ventos.

“Há uma certa convergência de forças de ventos para a região de Manaus. É um fenômeno meteorológico sobre o qual nós não temos controle. Nós estamos combatendo intensamente, reduzimos muito os incêndios mais próximos da capital. Mas nós ainda temos incêndios mais distantes, que estão trazendo fumaça para Manaus. Nós esperamos que isso possa reduzir”, declarou.

Amazonas registra redução de focos, mas situação segue grave

Apesar da gravidade do cenário, o ministro informou que os reforços nas operações de combate já apresentam resultados positivos, com redução perceptível das queimadas e dos novos focos de incêndio.

Capobianco, no entanto, ressaltou que ainda é cedo para considerar a situação controlada.

“Nós temos dados positivos. Não podemos comemorar, porque ainda temos uma situação grave, ainda tem muita fumaça, mas houve uma redução nos eventos de queimadas e de incêndios. Portanto, nós temos um movimento positivo e há um indicativo de redução de novos focos”, afirmou.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), desde o início da temporada de incêndios florestais, 292 incêndios foram extintos no Amazonas, enquanto outros oito permanecem ativos.

Aeronaves e brigadistas reforçam combate às queimadas

O governo federal disponibilizou 11 aeronaves para as operações no Amazonas. Desse total, seis são utilizadas diretamente no combate aos incêndios florestais, com capacidade de realizar lançamentos rápidos de água.

Entre os equipamentos mobilizados estão um avião KC-390, empregado no lançamento de grandes volumes de água, três helicópteros destinados ao combate ao fogo e ao transporte de brigadistas e equipamentos, além de uma aeronave Caravan para apoio logístico.

As operações também contam com 290 brigadistas em campo. Outros 40 profissionais federais estão em deslocamento para reforçar as equipes que atuam nas áreas atingidas.

No domingo (11), Capobianco e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram o Amazonas e identificaram focos de incêndio em regiões florestais de difícil acesso.

As ações de combate continuam enquanto as forças de segurança investigam a origem das queimadas e a possível participação de grupos organizados.

Com informações da Agência Brasil