Brasília, 24 de setembro de 2026
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Meio Ambiente

Super El Niño pode causar até 13,3 mil mortes no Brasil, diz estudo

Norte e Nordeste devem concentrar os maiores impactos do calor extremo no país.

Estudo estima até 13,3 mil mortes no Brasil em decorrência do calor extremo associado ao Super El Niño. | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O calor extremo causado pelo Super El Niño pode provocar até 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, segundo relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23).

O país deve ser o mais afetado na América Latina pelo fenômeno, caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico.

Pela projeção dos cientistas, com o Super El Niño iniciado em junho de 2026, os dias extremamente quentes devem quase dobrar até fevereiro de 2027. As temperaturas devem ficar pelo menos 1,2 grau Celsius (ºC) acima do normal em comparação com anos anteriores, cenário que pode se intensificar durante o verão.

Norte e Nordeste concentram maiores estimativas

Segundo o relatório, as regiões que tendem a ser mais afetadas pelo Super El Niño estão concentradas no Sul global. No Brasil, o período mais crítico deve ocorrer no verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.

O país aparece na quinta posição entre os cinco com maior número estimado de mortes. As projeções mais altas de mortalidade estão no Norte e Nordeste, com destaque para o Pará, com 2,3 mil mortes estimadas, e Maranhão, com mais 1,3 mil. Amazonas e Bahia aparecem com 1,2 mil cada.

O país se prepara com a instalação de bases do Ministério da Saúde, chamadas de Força Nacional do Sistema Único de Saúde, que contam com equipamentos e pessoal para atuar durante emergências e desastres.

Na lista dos países em situação mais crítica, o Brasil é antecedido por Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria.

Calor extremo pode afetar milhares pelo mundo

No continente americano, o país mais próximo do Brasil são os Estados Unidos, com 3,5 mil mortes a mais do que em um ano normal. Venezuela, com 2,3 mil mortes adicionais, e Colômbia, com 2,2 mil, também se destacam.

No continente africano, o relatório projeta 67 mil mortes, sendo a maior parte das vidas perdidas no Sahel, região de transição entre o Saara, ao norte, e as savanas, ao sul.

Quase metade dessa estimativa deve se concentrar na Nigéria, com 31,4 mil mortes. O país aparece à frente do Sudão, com 17,5 mil mortes adicionais por calor, do Níger, com 10 mil, e do Chade, com 8 mil.

No sudeste asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem chegar a 19,4 mil mortes acima do normal. Na Índia, a estimativa é de mais 15,8 mil.

Pesquisadores veem cenário como amostra do futuro

Os números estimados podem aumentar ainda mais caso o El Niño se prolongue, analisam os pesquisadores. Segundo eles, o fenômeno representa uma amostra das temperaturas que serão mais comuns daqui para frente, uma espécie de “cartão-postal do futuro” do que o planeta se tornará com o avanço das mudanças climáticas.

Para diminuir a mortalidade, os especialistas recomendam esforços humanitários multilaterais em ações consideradas eficazes, como alertas de calor, instalação de centros de resfriamento e pontos de hidratação, além de proteção da população mais vulnerável e dos trabalhadores. As medidas devem ser iniciadas desde já.

“Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano. Mas, daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, disse Tamma Carleton, coautora do relatório.

Chefe de pesquisa do Laboratório de Impacto Climático e professora assistente da Universidade da Califórnia, Berkeley, ela acrescentou: “Precisamos mobilizar recursos agora para projetar, implementar e avaliar as ferramentas de preparação e planejamento que salvarão vidas nos próximos anos.”

Para calcular o número estimado de mortes, os pesquisadores utilizaram estudos anteriores que relacionaram temperatura e mortalidade em diferentes regiões, considerando o clima local, a vulnerabilidade da população e a capacidade de adaptação de cada país e região.

Com informações da Agência Brasil