Brasília, 8 de maio de 2026
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Redução da jornada de trabalho avança na América Latina

Países latino-americanos reduziram carga horária semanal nos últimos anos.

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A redução da jornada de trabalho tem avançado em países da América Latina, com mudanças recentes aprovadas na Colômbia, Chile e México. As reformas reduziram gradualmente o número de horas semanais trabalhadas sem corte salarial e ampliaram o debate sobre o fim da escala 6×1 na região.

As medidas colocam esses países entre os principais exemplos latino-americanos de flexibilização das jornadas de trabalho na última década. O tema também ganha força no Brasil, onde propostas semelhantes estão em discussão no Congresso Nacional.

Redução da jornada de trabalho cresce na região

Na Colômbia, a redução da jornada semanal de 48 para 42 horas foi promulgada em 2021 pelo então presidente Iván Duque. A implementação ocorreu de forma gradual e deve ser concluída em julho de 2026.

O projeto foi apresentado pelo ex-presidente e ex-senador Álvaro Uribe e aprovado sem redução salarial. Segundo especialistas, a medida surgiu em meio às pressões sociais e protestos registrados no país a partir de 2019.

Chile adota modelo gradual até 2028

No Chile, a redução da jornada foi sancionada em 2023 pelo presidente Gabriel Boric. A carga horária semanal começou a cair gradualmente de 45 para 40 horas.

Em 2024, a jornada passou para 44 horas. Em abril de 2026, foi reduzida para 42 horas, com previsão de chegar ao limite final de 40 horas semanais em 2028.

Pesquisadores apontam que a mudança também está ligada às manifestações sociais iniciadas em 2019, que pressionaram por reformas trabalhistas e sociais no país.

México aprovou semana de 40 horas

O México aprovou neste ano a redução da jornada de 48 para 40 horas semanais. A medida foi promulgada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum e começará a ser aplicada gradualmente a partir de 2027.

A implementação completa está prevista para 2030. Especialistas avaliam que a popularidade do governo e a maioria parlamentar facilitaram a aprovação da reforma, apesar das críticas de setores empresariais.

Organização Internacional recomenda 40 horas

A Organização Internacional do Trabalho recomenda jornadas de 40 horas semanais e estabelece limite máximo de 48 horas, desde que haja pagamento de horas extras.

Especialistas destacam que a América Latina ainda possui países com jornadas extensas em comparação a outras regiões do mundo, o que mantém o debate sobre produtividade, qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso.

Debate sobre escala 6×1 cresce no Brasil

No Brasil, propostas para reduzir a jornada semanal de 44 horas para 40 ou 36 horas e acabar com a escala 6×1 enfrentam resistência de parte do empresariado. Estudos divergem sobre os possíveis impactos das mudanças na economia, inflação e geração de empregos.

Enquanto defensores argumentam que a medida melhora a qualidade de vida e aumenta a produtividade, setores contrários afirmam que a mudança pode elevar custos operacionais das empresas.

O avanço das reformas em outros países latino-americanos amplia a discussão sobre novos modelos de jornada de trabalho e pode influenciar o debate brasileiro nos próximos anos.

Com informações da Agência Brasil