Brasília, 19 de junho de 2026
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Lei Seca reduz mortes no trânsito em 19,5% desde 2010

Estudo aponta queda nos óbitos, mas indica perda de efetividade da fiscalização nos últimos anos.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool caíram 19,5% no Brasil entre 2010 e 2024, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (19), Dia Nacional da Lei Seca, pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). Apesar da redução registrada ao longo dos últimos 14 anos, o estudo mostra que os índices voltaram a crescer após a pandemia, sinalizando desafios para a efetividade da legislação.

De acordo com os dados, o número de mortes associadas ao consumo de bebidas alcoólicas passou de 15 mil em 2010 para 13.075 em 2024. O menor patamar foi registrado em 2020, quando 11,6 mil pessoas perderam a vida em ocorrências de trânsito relacionadas ao álcool.

Lei Seca segue como referência

Segundo a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, a Lei Seca continua sendo uma referência internacional no combate aos acidentes de trânsito e na preservação de vidas.

“A redução foi da ordem de mais de 30%, desde que a lei surgiu, em 2008, até os últimos anos”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Apesar dos resultados positivos, a especialista reconhece que a legislação passou a enfrentar novos obstáculos. Os números apontam que a curva de redução das mortes se manteve constante até 2019, mas voltou a subir após o período mais crítico da pandemia.

Para Mariana, um dos fatores que contribuem para esse cenário é a evolução das formas utilizadas por condutores para evitar a fiscalização. O uso de aplicativos e redes de comunicação que informam sobre operações de trânsito tem reduzido o efeito preventivo das ações de controle.

Sensação de impunidade preocupa especialistas

Outro desafio apontado pelo estudo é a percepção de impunidade entre parte da população. Segundo a coordenadora do Cisa, muitas pessoas ainda acreditam que conseguem dirigir após consumir álcool sem serem flagradas.

Ela defende o fortalecimento das ações de fiscalização, o aprimoramento do atendimento de emergência e campanhas voltadas principalmente ao público masculino, que concentra os maiores índices de mortalidade.

Dados da entidade mostram que, a partir de 2019, o consumo de álcool esteve relacionado a 36,6% das ocorrências de trânsito entre homens e a 26,3% entre mulheres. Os homens jovens aparecem como o principal grupo de risco nas estatísticas.

Além disso, a fiscalização enfrenta limitações relacionadas ao número de operações com bafômetros, ao crescimento da frota nacional e ao aumento dos acidentes envolvendo motocicletas.

Educação e alternativas ao motorista

Para ampliar os resultados da Lei Seca, Mariana Thibes defende campanhas mais estratégicas e menos focadas apenas em mensagens de impacto.

Segundo ela, experiências internacionais demonstram que ações baseadas exclusivamente no medo geram resultados temporários, mas não promovem mudanças duradouras de comportamento.

A especialista avalia que a combinação entre educação, conscientização e percepção real do risco de punição tende a ser mais eficaz. “A pessoa precisa acreditar que vai ser fiscalizada e que vai ser punida”, afirmou.

Os dados também revelam que a maior parte das infrações ocorre durante madrugadas e finais de semana. Nesse contexto, o incentivo a alternativas como transporte público noturno e aplicativos de mobilidade pode contribuir para reduzir os casos de combinação entre álcool e direção.

Tocantins registra maior taxa de mortes

O levantamento mostra que 18 estados apresentaram taxa de mortalidade por álcool no trânsito superior à média nacional, de 6,2 mortes por 100 mil habitantes.

O Tocantins lidera o ranking, com taxa de 13,4 mortes por 100 mil habitantes, seguido pelo Piauí, com 12,1, e Mato Grosso, com 11,1.

Em relação às internações hospitalares relacionadas ao consumo de álcool no trânsito, 16 estados também registraram índices acima da média nacional. Espírito Santo, Pará e Acre apresentaram as maiores taxas.

Segundo Mariana Thibes, fatores como características das rodovias, menor presença de fiscalização e dificuldades de acesso a serviços de emergência podem ajudar a explicar os resultados mais elevados em algumas regiões.

Ela ressalta que os hábitos relacionados ao consumo de álcool e à direção variam entre os estados, exigindo ações específicas e adaptadas à realidade local para aumentar a eficácia das políticas públicas.

Com informações da Agência Brasil