Brasília, 7 de setembro de 2026
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Política

Fim da escala 6×1 tem votação adiada no Senado após obstrução

Governo não teve segurança sobre votos para aprovar PEC, que deve voltar à pauta após eleições.

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Votação da PEC do fim da escala 6x1 no Senado deve ocorrer após o primeiro turno das eleições - Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA

A votação da PEC do fim da escala 6×1 não avançou no plenário do Senado nesta quarta-feira (2), após a base do governo avaliar que não havia segurança sobre os votos necessários para aprovar a proposta. Com isso, a matéria deve ser analisada somente após o primeiro turno das eleições, em outubro.

O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AC), atribuiu o esvaziamento do plenário a uma articulação de parlamentares da oposição.

“Hoje, houve um movimento bem sucedido da oposição”, afirmou Randolfe, ao comentar a ausência de senadores que inviabilizou uma possível votação.

Governo atribui obstrução à oposição

Em entrevista à imprensa, Randolfe afirmou que houve uma “ação coordenada” para desmobilizar a presença de parlamentares no plenário. Segundo ele, participaram do movimento os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição.

“A oposição ao nosso governo é contra o fim da escala 6×1. Ponto”, declarou o líder governista.

Randolfe afirmou que a resistência já havia sido demonstrada durante a análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Dos 27 senadores presentes, Rogério Marinho, Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO) registraram votos contrários.

Apesar das manifestações contrárias, a PEC foi aprovada de forma simbólica na comissão.

Fim da escala 6×1 precisa de 49 votos

A PEC 221/2019 estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O texto prevê uma regra de transição de 14 meses.

Para concluir a tramitação no Senado, a proposta precisa ser aprovada pelo plenário em dois turnos, com pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a 60% dos 81 senadores.

A CCJ chegou a aprovar um calendário especial para acelerar a tramitação, eliminando intervalos regimentais e permitindo que a matéria pudesse ser analisada ainda nesta semana, em regime de urgência.

A inclusão da PEC na pauta do plenário depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Governo estimava até 54 votos pela PEC

Segundo Randolfe, Alcolumbre perguntou aos governistas se havia segurança sobre o número de votos favoráveis. Diante da resposta negativa, a avaliação foi de que seria mais prudente não levar a PEC ao plenário, onde a proposta poderia ser derrotada.

O líder do governo afirmou que havia uma estimativa de 53 ou 54 votos favoráveis, mas a margem não foi considerada segura diante da possibilidade de ausência de senadores.

O próximo esforço concentrado de votações no Congresso Nacional está previsto para a segunda semana de outubro.

Rogério Marinho apresentou texto alternativo

A Agência Brasil procurou Rogério Marinho para obter uma manifestação sobre a PEC não ter sido incluída na votação, mas não havia recebido resposta.

Contrário à proposta, Marinho apresentou uma alternativa que mantém a escala 6×1 e a jornada semanal máxima de 44 horas. O texto permite diferentes jornadas mediante negociação direta entre trabalhadores e empregadores e prevê remuneração calculada conforme as horas trabalhadas.

Flávio Bolsonaro também foi procurado para comentar as declarações de Randolfe. Integrante da CCJ, ele estava ausente quando a PEC foi aprovada no colegiado.

Nos últimos dias, Flávio também defendeu a proposta de pagamento por hora trabalhada e evitou antecipar como votaria no texto que prevê o fim da escala 6×1. O espaço para manifestação permanece aberto.

Com informações da Agência Brasil