Brasília, 3 de novembro de 2026
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ONU alerta para violência contra jornalistas e cobra fim da impunidade

Organização registra 189 jornalistas assassinados em 2024 e 2025 e destaca riscos em zonas de conflito.

ONU destaca a necessidade de proteger jornalistas após registrar 189 assassinatos de profissionais de imprensa em 2024 e 2025.| Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta segunda-feira (2) para a necessidade de proteger jornalistas e garantir o acesso à informação. A manifestação ocorreu durante o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas, data dedicada à defesa da segurança dos profissionais de imprensa e à responsabilização por crimes cometidos contra eles.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou os riscos enfrentados por jornalistas no exercício da profissão, especialmente em regiões marcadas por conflitos armados.

“Em todo o mundo, jornalistas continuam pagando um preço exorbitante por dizerem a verdade”, afirmou Guterres.

Segundo as Nações Unidas, 189 jornalistas foram assassinados em todo o mundo durante os anos de 2024 e 2025, o maior número registrado desde o biênio 2014/2015.

A maior parte das mortes ocorreu em zonas de conflito, onde profissionais da imprensa enfrentam ameaças relacionadas à violência armada e ao uso de novas tecnologias militares.

ONU destaca riscos de drones e novas tecnologias em conflitos

Em 2026, a campanha das Nações Unidas chama a atenção para as mudanças nos riscos enfrentados pelos jornalistas em decorrência do avanço tecnológico e do desenvolvimento de novos armamentos.

Entre as principais preocupações estão os ataques realizados com drones, apontados como uma das circunstâncias relacionadas às mortes de profissionais de imprensa em regiões de guerra.

A ONU destaca que essas tecnologias estão transformando as condições de segurança para jornalistas que trabalham na cobertura de conflitos armados.

O alerta reforça a importância de proteger os profissionais responsáveis por informar a população sobre acontecimentos em áreas de violência.

Assassinatos de jornalistas atingem maior número em uma década

De acordo com os dados apresentados pelas Nações Unidas, 189 jornalistas foram assassinados entre 2024 e 2025.

O total representa o maior registro para um período de dois anos desde 2014 e 2015.

A maior parte dos assassinatos aconteceu em zonas de conflito, evidenciando os riscos enfrentados por profissionais que atuam na cobertura de guerras.

O cenário levou a ONU a reforçar a importância da proteção aos jornalistas e da responsabilização dos envolvidos em crimes contra a imprensa.

Fenaj cobra investigação e punição dos responsáveis

A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, defendeu que os governos investiguem e processem os responsáveis por crimes cometidos contra profissionais de comunicação.

Segundo ela, o assassinato de qualquer jornalista é inaceitável, independentemente do país ou das circunstâncias em que o crime tenha ocorrido.

Samira também destacou a campanha promovida neste ano pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), que busca identificar os responsáveis pelos assassinatos.

“A campanha da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) este ano pergunta: Quem ordenou o assassinato? Quem Planejou? Quem é o responsável final? Essas são perguntas que não podem ficar sem resposta”, afirmou.

A manifestação reforça a cobrança por investigações que não se limitem aos executores dos crimes, mas também identifiquem eventuais responsáveis pelo planejamento e pela ordem dos assassinatos.

Data internacional homenageia jornalistas mortos no Mali

O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas é celebrado em 2 de novembro.

A data foi criada em homenagem aos jornalistas franceses Ghislaine Dupont e Claude Verlon, da Rádio França Internacional (RFI), assassinados em 2 de novembro de 2013, no Mali.

A homenagem integra a mobilização internacional pela proteção dos profissionais de imprensa e pelo enfrentamento à impunidade.

Neste ano, a ONU concentra sua mensagem nos riscos associados às novas tecnologias e aos armamentos utilizados em conflitos, enquanto organizações representativas da categoria cobram a identificação e a responsabilização dos envolvidos nos assassinatos de jornalistas.

Com informações da Agência Brasil