Brasília, 4 de novembro de 2026
×

Economia

Dólar sobe a R$ 5,48 e Ibovespa registra sexta queda consecutiva

Cautela fiscal e expectativa pela decisão do Copom pressionam o mercado financeiro brasileiro.

Dólar fecha a R$ 5,486 e Ibovespa recua 1,42%. | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (3) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,486, enquanto o Ibovespa caiu 1,42%, aos 165.528,92 pontos, segundo dados preliminares. Foi a sexta queda consecutiva da bolsa brasileira desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro.

O mercado financeiro foi pressionado por incertezas sobre a política fiscal do governo e pela expectativa em torno da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para quarta-feira (4). Investidores também acompanharam a valorização internacional do dólar e os desdobramentos econômicos nos Estados Unidos.

Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,509, enquanto o principal índice da bolsa brasileira atingiu o menor nível desde janeiro.

Dólar supera R$ 5,50 durante o pregão

O dólar comercial fechou a sessão a R$ 5,486, com valorização de 0,74%. A moeda chegou à máxima de R$ 5,509 por volta das 13h50, ultrapassando temporariamente a marca de R$ 5,50.

O movimento ocorreu no primeiro pregão de novembro, após o feriado de Finados e uma semana de desvalorização dos ativos brasileiros. Desde o resultado da eleição presidencial, o real tem enfrentado pressão no mercado cambial.

Entre os fatores acompanhados pelos investidores estão as dúvidas sobre a condução das contas públicas, a agenda econômica do governo e a decisão do Copom sobre a taxa básica de juros.

Também repercutiram as propostas do economista André Lara Resende sobre mudanças no regime monetário brasileiro.

Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as ideias apresentadas pelo economista têm deficiências e não estão em discussão no governo. O ministro também reiterou a defesa de um ajuste fiscal gradual.

No cenário internacional, as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos e o fortalecimento da moeda norte-americana influenciaram as negociações.

Às 17h35, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,13%, aos 101,850 pontos.

Ibovespa cai 1,42% e atinge menor nível desde janeiro

O Ibovespa encerrou a terça-feira aos 165.528,92 pontos, uma queda de 1,42%, conforme dados preliminares.

Durante o pregão, o indicador chegou a ficar abaixo dos 165 mil pontos, atingindo a mínima de 164.446,53 pontos às 11h23.

O resultado marcou a sexta sessão consecutiva de perdas desde a reeleição de Lula. No último pregão anterior à definição do resultado eleitoral, o índice estava acima dos 205 mil pontos.

As ações da Petrobras e da Vale, entre as mais negociadas do mercado brasileiro, contribuíram para a pressão sobre o indicador.

O desempenho ocorreu em meio a ajustes nas cotações internacionais do petróleo e de outras commodities, produtos primários negociados no mercado internacional, após o feriado.

No exterior, ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos apresentaram recuperação durante a sessão. No Brasil, porém, as incertezas domésticas continuaram influenciando negativamente o mercado acionário.

Copom decidirá sobre Selic nesta quarta-feira

A reunião do Comitê de Política Monetária está entre os principais acontecimentos acompanhados pelos investidores nesta semana.

A taxa Selic está em 13,75% ao ano, e o mercado avalia a possibilidade de manutenção desse patamar diante da piora das expectativas de inflação e da desvalorização do real.

A decisão do Banco Central está prevista para quarta-feira (4), acompanhada de um comunicado sobre a condução da política monetária.

O resultado poderá influenciar as negociações do dólar e da bolsa brasileira nos próximos pregões.

Focus eleva projeções de inflação e juros para 2027

O boletim Focus divulgado nesta terça-feira apontou aumento nas expectativas do mercado financeiro para a inflação e a taxa básica de juros em 2027.

A projeção para a inflação do próximo ano passou de 4,34% para 4,76%, superando o teto da meta de 4,5%.

A estimativa para a Selic ao final de 2027 também foi elevada, passando de 11,75% para 12,50% ao ano.

A revisão das projeções reforçou a atenção dos investidores à política monetária e à condução das contas públicas.

Com o dólar próximo de R$ 5,50 e o Ibovespa acumulando seis sessões consecutivas de queda, o mercado aguarda a decisão do Copom e as sinalizações do Banco Central sobre os próximos passos dos juros.

Com informações da Agência Brasil