Brasília, 23 de outubro de 2026
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Política

Entidades alertam TSE sobre risco de censura nas redes sociais

Documento assinado por 50 organizações aponta falta de transparência das plataformas.

Organizações da sociedade civil entregam manifestação ao TSE sobre possíveis restrições à liberdade de expressão. | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Cinquenta organizações da sociedade civil, movimentos populares e sindicatos entregaram nesta sexta-feira (23) uma nota pública ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manifestando preocupação com possíveis práticas de censura nas redes sociais durante as eleições de 2026.

As entidades, integrantes do DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia, questionam a falta de transparência das plataformas digitais nos processos de moderação e distribuição de conteúdos. O documento também aponta possíveis impactos dessas práticas sobre a liberdade de expressão e o processo eleitoral.

“Forças poderosas atuam contra as eleições de 2026 no Brasil, com o objetivo de desestabilizar a integridade do processo eleitoral e impedir o livre e soberano exercício do voto pelo povo brasileiro”, afirma um trecho da nota.

Organizações denunciam bloqueios e redução de alcance

Segundo as entidades, usuários, comunicadores e perfis políticos relataram bloqueios de contas e redução do alcance de publicações nas redes sociais.

Entre os episódios mencionados está a desativação da ferramenta de anúncios da conta oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

As organizações argumentam que a ausência de transparência nos critérios utilizados pelas plataformas para moderar e distribuir conteúdos gera preocupação sobre possíveis restrições à participação política no ambiente digital.

A manifestação também questiona decisões adotadas pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, envolvendo o funcionamento de canais de comunicação ligados às campanhas eleitorais.

Entidades questionam suspensão do Exército do Lula

Um dos casos citados no documento é a tentativa de suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para apoiar a candidatura do presidente.

Na petição encaminhada ao corregedor da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, as entidades defendem que medidas adotadas pelo TSE no enfrentamento à desinformação sejam fundamentadas em provas.

As organizações também pedem respeito ao devido processo legal e à liberdade de expressão, especialmente nas decisões que possam restringir conteúdos ou canais utilizados durante o período eleitoral.

Ministro impede nova suspensão individual do canal

Também nesta sexta-feira (23), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, decidiu que o canal “Exército do Lula” não poderá voltar a ser suspenso ou restringido por decisões individuais de integrantes da Corte.

Com isso, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, fica impedido de determinar sozinho uma nova suspensão do canal.

A decisão ocorreu após uma série de controvérsias judiciais envolvendo o funcionamento do grupo de comunicação criado por André Janones.

Na quinta-feira (22), Kassio atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou uma análise das publicações divulgadas pelo canal.

A manifestação das 50 entidades ocorre nesse contexto de disputas sobre a fiscalização da propaganda eleitoral digital e os limites das medidas de moderação de conteúdo durante as eleições.

Com informações da Agência Brasil