Brasília, 19 de outubro de 2026
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Política

Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações em primeiro debate na Band

Candidatos discutiram segurança pública, SUS, escala 6x1 e relações com os Estados Unidos.

Lula e Flávio Bolsonaro participam do primeiro debate presidencial na TV Bandeirantes. | Foto: Renato Pizzutto/Band

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram neste domingo (18) do primeiro debate televisivo das eleições, realizado pela TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por acusações, provocações e divergências sobre segurança pública, saúde, direitos trabalhistas e política externa.

Durante os três blocos, os candidatos apresentaram propostas e questionaram o histórico político um do outro. Em determinados momentos, os mediadores Adriana Araújo e Eduardo Oinegue precisaram intervir para garantir o cumprimento das regras do debate.

Logo no primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre supostos R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro, a defesa de uma pessoa acusada de assassinar uma criança e possíveis vínculos com os responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.

O presidente também cobrou explicações sobre a posição do senador contrária à marcação numérica em cápsulas de munição e sobre seu voto contra a ampliação da licença-maternidade durante o mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Flávio não respondeu diretamente aos questionamentos e direcionou perguntas ao presidente sobre seu filho Fábio Luís, investigado por suspeita de participação em um esquema de tráfico de influência.

O senador também responsabilizou o governo Lula por irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A reportagem original afirma que os desvios começaram durante o governo Jair Bolsonaro e que houve ações de combate e ressarcimento aos aposentados na atual gestão.

Segurança pública e SUS dividem os candidatos

Na discussão sobre segurança pública, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende classificar facções criminosas como organizações narcoterroristas. Também prometeu construir 500 mil vagas no sistema penitenciário caso seja eleito.

Lula, por sua vez, reafirmou a proposta de criar o Ministério da Segurança Pública, com a finalidade de definir responsabilidades entre municípios, estados e União e ampliar a participação federal no combate à criminalidade.

No segundo bloco, os candidatos discutiram o Sistema Único de Saúde (SUS).

Questionado pelos mediadores, Flávio afirmou que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para o Ministério da Saúde. Segundo o senador, a intenção seria estabelecer um “padrão Einstein no SUS”.

Lula criticou a proposta, questionou se o adversário pretendia privatizar o sistema público e afirmou que Flávio não utiliza os serviços do SUS.

O presidente também voltou a criticar a condução da pandemia de covid-19 durante o governo Jair Bolsonaro, mencionando mais de 716 mil mortes e responsabilizando a gestão anterior pelo atraso na aquisição de vacinas.

“Eles tiveram uma experiência de quatro 4 anos. E foi o maior desastre da história desse país. Poderia ter evitado metade das mortes se ouvisse a ciência, se acreditassem a ciência. Eles não acreditavam”, afirmou Lula.

Durante a resposta, Flávio interrompeu o presidente fora de seu momento de fala, exigindo a intervenção da mediadora Adriana Araújo.

Posteriormente, o senador defendeu a atuação do governo de seu pai durante a crise sanitária.

“Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, isso é uma coisa nova que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor”, declarou.

O debate sobre segurança também incluiu as saídas temporárias de presos, conhecidas como “saidinhas”.

Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, em dezembro de 2023, e de um sargento da Polícia Militar em Minas Gerais para criticar o benefício. O senador acusou Lula de priorizar os direitos de pessoas condenadas em detrimento das vítimas.

Lula defendeu a manutenção das saídas temporárias para presos com bom comportamento e em processo de recuperação, mas afirmou que condenados por estupro, violência contra mulheres e crimes graves não deveriam receber o benefício.

O presidente também criticou a possibilidade de Flávio defender um indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, argumentando que a medida poderia alcançar outros condenados.

Escala 6×1 provoca novo confronto entre Lula e Flávio

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, recentemente aprovados pelo Congresso Nacional, também estiveram entre os assuntos discutidos.

Flávio Bolsonaro afirmou que votou favoravelmente à proposta após ouvir trabalhadores, apesar de anteriormente ter se posicionado contra a mudança.

“Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros”, declarou.

Lula reagiu criticando a experiência do adversário com o transporte público e a realidade dos trabalhadores brasileiros.

“O meu adversário, ele conhece ônibus por literatura, ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque ele nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Você conhece o cidadão que nunca trabalhou?”, questionou.

Quebra de sigilo e relações com os EUA entram no debate

No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico, incluindo informações de familiares, para permitir a apuração de possíveis irregularidades antes das eleições.

“Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, afirmou o presidente.

Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente se aceitaria a proposta nos termos apresentados. Em seguida, acusou Lula, sem apresentar provas, de manter recursos fora de suas contas bancárias.

Na discussão sobre política externa, Lula questionou a relação do senador com os Estados Unidos e manifestou preocupação com a soberania brasileira na exploração de minerais críticos, utilizados na fabricação de baterias e outros produtos tecnológicos.

O presidente acusou a família Bolsonaro de subordinação aos interesses norte-americanos.

Flávio defendeu a cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado e negou ter atuado para impor tarifas contra empresas brasileiras.

A discussão ocorreu em meio às posições defendidas por Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que está nos Estados Unidos e manifestou apoio à imposição de tarifas sobre exportações brasileiras.

Ainda no terceiro bloco, Flávio propôs ampliar o uso de câmeras de reconhecimento facial em todo o país e endurecer as punições no combate à criminalidade.

Lula rebateu mencionando iniciativas de seu governo, como o programa Celular Seguro, destinado ao bloqueio de aparelhos roubados, e criticou o adversário por apresentar propostas que, segundo ele, não consideram medidas já implementadas.

Suspeita de bomba mobiliza polícia após debate

Ao término do encontro, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para investigar uma suspeita de bomba em um veículo estacionado nas dependências da Band.

Segundo as informações divulgadas, o automóvel pertenceria à equipe de Flávio Bolsonaro.

Durante a verificação, jornalistas e convidados foram impedidos de deixar a emissora.

Após a varredura policial, nenhum artefato foi encontrado e o local foi liberado.

Com informações da Agência Brasil