Brasília, 19 de outubro de 2026
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Brasil

Mulher e filho de Marcinho VP são presos em operação da PF no Rio

Operação Backbone investiga esquema ligado ao Comando Vermelho e determina bloqueio de até R$ 558 milhões.

Polícia Federal prende Márcia Gama Nepomuceno e Lucas dos Santos Nepomuceno durante a Operação Backbone. | Foto: Secom-PF/Divulgação

A empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, foi presa nesta segunda-feira (19) durante a Operação Backbone, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. Ela também é mãe do rapper Oruam.

Outro filho do casal, Lucas dos Santos Nepomuceno, também foi preso na ação, que investiga uma estrutura criminosa ligada ao Comando Vermelho e um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo empresas provedoras de internet.

Os dois estavam entre os alvos de 23 mandados de prisão preventiva expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após as prisões, foram encaminhados à sede da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Até o início da tarde, a PF havia cumprido 20 mandados de prisão, incluindo uma ordem contra o próprio Marcinho VP, que já está detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Em 2026, ele completou 30 anos de detenção.

PF investiga monopólio de internet em comunidades do Rio

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada impõe o monopólio do fornecimento de internet em comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro.

A atuação do grupo abrangeria os conjuntos de favelas do Alemão, da Penha e do Chapadão, alcançando também os bairros da Pavuna, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, Costa Barros e Guadalupe.

De acordo com as investigações, empresas provedoras de internet seriam utilizadas para lavar recursos provenientes das atividades criminosas.

A Operação Backbone busca desarticular essa estrutura e identificar a participação dos investigados no funcionamento do esquema.

Defesa de Márcia Nepomuceno nega envolvimento

O advogado Flávio Fernandes, responsável pela defesa de Márcia Gama Nepomuceno, afirmou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e do processo, motivo pelo qual não poderia avaliar os fundamentos da prisão.

Em declaração enviada à Agência Brasil por áudio no WhatsApp, ele relatou as informações que havia recebido sobre a apuração.

“O que a gente sabe é que se trata de uma investigação, acredito que não seja processo, que investiga empresas que forneceriam sinais clandestinos de TV, de internet e que essas empresas repassariam valores para familiares da minha cliente”, afirmou.

O advogado ressaltou que representa exclusivamente Márcia e negou qualquer participação dela no esquema investigado.

“Márcia não tem nenhum envolvimento com empresas deste tipo de atuação. As empresas com o nome da Márcia são todas legalizadas. Ela emite notas, está em dia com o fisco, com as obrigações na Receita Federal. Essas empresas aí, Márcia desconhece. Não tem envolvimento com qualquer tipo de empresa clandestina de fornecimento de sinal de internet”, declarou.

A Agência Brasil informou que não conseguiu contato com a defesa de Lucas dos Santos Nepomuceno.

Justiça determina bloqueio de até R$ 558 milhões

Além dos 23 mandados de prisão preventiva, a Operação Backbone também prevê o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.

As medidas têm como alvos endereços na capital fluminense e nos municípios de Nova Iguaçu, São João de Meriti e Magé, na Baixada Fluminense; Teresópolis, na Região Serrana; e Maricá, na Região Metropolitana do Rio.

Parte das ordens de prisão deverá ser cumprida em unidades prisionais, incluindo estabelecimentos do Sistema Penitenciário Federal.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, medida que alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas.

Entre as pessoas jurídicas atingidas estão provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas apontadas pela investigação como estruturas de fachada utilizadas nas atividades criminosas.

Também foi determinada a suspensão das atividades econômicas das empresas envolvidas nas medidas judiciais.

Operação integra força-tarefa contra o crime organizado

Segundo a Polícia Federal, a Operação Backbone faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela própria corporação.

A iniciativa tem como objetivo combater organizações criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635.

As investigações buscam esclarecer o funcionamento da estrutura financeira atribuída ao grupo e a participação dos alvos no esquema investigado.

Com informações da Agência Brasil