Brasília, 19 de outubro de 2026
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Política

Congresso promulga fim da escala 6×1 e prevê mudança em 60 dias

Nova emenda estabelece duas folgas semanais e redução gradual da jornada para 40 horas, sem corte salarial.

Congresso Nacional promulga emenda constitucional que estabelece a transição da escala 6x1 para a jornada 5x2. | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a Emenda Constitucional nº 141 de 2026, que estabelece o fim da escala regular de seis dias de trabalho para um de descanso (6×1) e prevê a adoção da jornada 5×2, com duas folgas semanais, em até 60 dias. A mudança também determina a redução gradual da carga horária de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.

A promulgação ocorreu em sessão solene com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ministros, senadores e deputados da base governista participaram da cerimônia, enquanto lideranças da oposição não compareceram.

A proposta teve sua tramitação concluída na quarta-feira (14), quando foi aprovada no Senado por 75 votos favoráveis e um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Embora inicialmente contrária à PEC, a oposição liberou sua bancada após a votação ser marcada, e a maioria de seus integrantes apoiou a mudança.

Escala 5×2 começa em 60 dias e jornada terá redução gradual

A nova emenda prevê que, em até 60 dias após a promulgação, as empresas deverão garantir dois dias de descanso por semana e reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 para 42 horas semanais.

A redução para 40 horas ocorrerá 12 meses depois dessa primeira etapa, completando um período de transição de até 14 meses.

Durante a fase intermediária, os empregadores deverão distribuir as 42 horas ao longo dos cinco dias de trabalho. Caso a carga horária seja dividida igualmente, cada expediente terá oito horas e 24 minutos.

Ao final da transição, a jornada regular será limitada a oito horas diárias e 40 horas semanais, com a manutenção de duas folgas remuneradas e sem redução salarial. O trabalho além desses limites exigirá pagamento de horas extras.

A regra geral terá exceções para determinadas categorias, incluindo trabalhadores terceirizados da administração pública e situações previstas em negociação coletiva.

Acordos coletivos poderão permitir escalas diferentes

Embora a escala 5×2 passe a ser a regra, a emenda permite que convenções ou acordos coletivos estabeleçam regimes compensatórios diferentes, desde que respeitadas as exigências de descanso.

Nessas situações, será possível adotar excepcionalmente a escala 6×1, desde que o dia adicional trabalhado seja compensado com uma folga dentro do mesmo mês.

A compensação deverá assegurar, em média, duas folgas remuneradas por semana ao longo do mês-calendário, com pelo menos um dia de descanso dentro de cada período máximo de uma semana de trabalho.

A emenda também permite que legislação posterior estabeleça regimes específicos de duração do trabalho e repouso, respeitados os limites de 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado.

Para trabalhadores com diploma de ensino superior e remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, a proposta admite jornadas diferenciadas mediante negociação direta com o empregador, desde que mantida a escala 5×2.

Governo e Congresso destacam impactos da mudança

Durante a cerimônia, Davi Alcolumbre afirmou que os efeitos da redução da jornada sobre a vida dos trabalhadores são difíceis de mensurar.

“Quanto vale mais tempo para cuidar de si e de quem se ama? Para milhões de pessoas que precisam trabalhar seis, às vezes sete dias por semana, a resposta é simples, essas coisas não tem preço, tem valor”, declarou.

O presidente do Senado também destacou as dificuldades políticas enfrentadas durante a tramitação da proposta.

“Um assunto que divide opiniões, que afeta as relações de trabalho e mexe com a vida de milhões de famílias. Quando o tema é complexo, o mais cômodo é deixar para lá e não enfrentar. Mas o Legislativo brasileiro escolheu o caminho certo, não o caminho fácil”, afirmou.

Hugo Motta ressaltou que a mudança alcança milhões de brasileiros que enfrentam longos deslocamentos e dedicam grande parte de seus dias ao trabalho.

O presidente da Câmara também mencionou medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), incluindo o aumento do limite anual de faturamento dos atuais R$ 80 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.

Segundo Motta, o texto também permite que cada MEI contrate até dois funcionários, um a mais do que o limite atual.

“O texto também permite a contratação de até dois funcionários por microempreendedor, garantindo assim que o MEI possa ter um funcionário a mais do que aquele que é permitido atualmente. Afinal, fortalecer o MEI é fortalecer milhões de famílias brasileiras”, afirmou.

Após a promulgação, Lula comemorou a aprovação e comparou as críticas à redução da jornada com a resistência enfrentada pela criação do 13º salário, na década de 1960.

“Eu lembro da campanha do 13º salário, no começo dos anos 1960, foi a mesma coisa: vai quebrar as empresas! Vai afundar as empresas! No mundo inteiro não tem isso. Não quebrou as empresas. O dado concreto é que toda vez que os trabalhadores conseguem um benefício, ele vive um pouco mais, ele tem um pouco mais de prazer na vida”, declarou.

A emenda também prevê a possibilidade de uma lei complementar estabelecer medidas transitórias para reduzir os impactos da mudança sobre MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte.

Terceirizados do setor público terão prazo diferenciado

Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, o prazo de adaptação será de até 12 meses após a promulgação, diferentemente dos 60 dias estabelecidos para os demais trabalhadores.

A nova jornada passará a valer quando ocorrer a formalização de aditivos aos contratos das empresas com o poder público.

Entretanto, contratos aditados depois dos primeiros 60 dias da promulgação já deverão observar as novas regras de jornada e descanso.

Com a emenda promulgada, a transição para a escala 5×2 começa a seguir os prazos previstos, enquanto empresas e trabalhadores deverão se adequar às novas condições de duração do trabalho e repouso semanal.

Com informações da Agência Brasil