Brasília, 16 de setembro de 2026
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Brasil

Gilmar acusa Mendonça de usar caso Master para interferir em eleição

Mendonça chamou acusação de “leviana”; sessão no STF foi suspensa e deve ser retomada às 15h.

Gilmar Mendes acusou André Mendonça de conduzir o caso Master com viés político-eleitoral durante julgamento no STF.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou nesta terça-feira (15) o ministro André Mendonça de conduzir o caso Master com um “viés político-eleitoral” e de interferir na eleição presidencial marcada para 4 de outubro.

A acusação ocorreu durante sessão plenária extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça reagiu e classificou como “leviana” a suspeita levantada pelo colega.

“Com todas as vênias e toda sinceridade, presidente, é evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido”, afirmou Gilmar, dirigindo-se a Fachin.

“Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, acrescentou.

Mendonça respondeu ao decano durante a sessão.

“Não aponte o dedo para mim”, afirmou.

Após a intervenção de Fachin, Mendonça permaneceu em silêncio durante a manifestação de Gilmar. O presidente do Supremo assegurou que o ministro terá tempo para responder às acusações.

STF julga abertura de investigação contra Moraes

A discussão ocorreu durante o julgamento em que o plenário do Supremo avalia se deve ser aberta uma investigação de natureza criminal contra o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o conteúdo apresentado, é a primeira vez na história do STF que a Corte analisa a abertura de uma investigação dessa natureza contra um de seus próprios integrantes.

O julgamento envolve um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que vincula Moraes ao ex-banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

O sigilo sobre o documento foi retirado por André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, em 1º de setembro.

Gilmar aponta suposto interesse eleitoral

Durante sua manifestação, Gilmar acusou Mendonça de ter escolhido deliberadamente a data da retirada do sigilo para coincidir com as manifestações populares de 7 de Setembro.

“O interesse é evidente, acachapante. Evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral, é disso que estamos falando”, declarou.

Gilmar fez referência ao boneco inflável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizado em manifestações da oposição.

Ao final da manifestação, o decano levantou uma questão de ordem para que o Supremo adie o julgamento para 23 de setembro.

A data é a mesma em que Fachin marcou a análise de um pedido de Moraes para que Mendonça seja investigado por suspeita de abuso de autoridade na condução do caso Master.

Julgamento deve ser retomado às 15h

Após a manifestação de Gilmar Mendes, a sessão foi suspensa para o almoço.

Fachin observou que a transmissão da TV Justiça seria interrompida em razão da veiculação do horário eleitoral gratuito e sugeriu a suspensão dos trabalhos. O julgamento deve ser retomado às 15h.

Todos os ministros do Supremo participam da sessão. Moraes e Mendonça estão sentados lado a lado no plenário.

Mais cedo, Nunes Marques declarou-se impedido de votar no caso, enquanto Dias Toffoli declarou-se suspeito.

Com informações da Agência Brasil