Brasília, 16 de setembro de 2026
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Moraes chama investigação de Mendonça de “inconstitucional e ilegal”

Ministro negou irregularidades antes de julgamento no STF que analisa possível abertura de investigação contra ele.

Alexandre de Moraes classificou como “inconstitucional e ilegal” a investigação conduzida por André Mendonça | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “inconstitucional e ilegal” a investigação conduzida pelo ministro André Mendonça que resultou em um relatório com supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes.

A manifestação foi encaminhada na madrugada desta terça-feira (15) ao presidente do STF, Edson Fachin, antes do julgamento que analisa se poderá ser aberta uma investigação sobre a suposta relação entre Moraes e Vorcaro.

Em um documento de 44 páginas, Moraes negou ter cometido qualquer irregularidade e classificou o relatório relacionado à investigação de Mendonça como “mentiroso e imprestável”. Segundo o ministro, os diálogos atribuídos a Vorcaro são fantasiosos.

“Há, conforme anteriormente afirmado, uma tentativa de responsabilização objetiva por escritos de terceiro encontrados em ‘bloco de notas’ de celular, que foi apreendido em operação policial exitosa, onde o investigado foi preso”, afirmou.

Moraes contesta mensagens encontradas no celular de Vorcaro

Segundo Moraes, das 52 notas encontradas no celular do ex-banqueiro, 47 não foram localizadas nas conversas de WhatsApp interceptadas pela investigação.

Na avaliação do ministro, portanto, não haveria “correspondência efetiva” entre a maior parte das anotações e conversas recuperadas no aplicativo.

Moraes também questionou a forma como a investigação foi conduzida. Para ele, o fato de o relatório ter sido produzido sob sigilo, sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e sem autorização do plenário do Supremo, demonstraria “ilegal direcionamento da investigação” por parte de André Mendonça.

Moraes fala sobre contrato com escritório da esposa

Na manifestação, Moraes também abordou o contrato firmado entre o Banco Master e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados, escritório que tem entre seus sócios a esposa do ministro.

Moraes afirmou que nunca atuou em nenhuma causa para o Banco Master ou para Daniel Vorcaro.

O ministro também defendeu a atuação profissional da esposa e dos filhos.

“São advogados e têm direito, como todos os demais advogados, a exercer a profissão, sempre com respeito à legislação e à ética”, declarou.

Ministro aponta motivação político-eleitoral

Ao final da manifestação, Moraes relacionou o caso a uma suposta tentativa de vingança e a motivações político-eleitorais decorrentes do julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado, do qual foi relator e que resultou na condenação da cúpula do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“A tentativa de Golpe não se encerrou em 8 de janeiro de 2023, simplesmente mudou seu modus operandi. Mas, assim como na primeira vez, o Supremo Tribunal Federal saberá resistir e sairá fortalecido”, afirmou Moraes.

O plenário do STF se reúne nesta terça-feira para decidir sobre a possível abertura de investigação contra o ministro em razão das informações relacionadas ao caso.

Com informações da Agência Brasil