Brasília, 16 de setembro de 2026
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Brasil

Mendonça retira sigilo de processo sobre pagamentos de Vorcaro

Decisão ocorre antes de julgamento no STF sobre abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

André Mendonça retirou o sigilo de processo que trata da rede de pagamentos de Daniel Vorcaro.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A medida foi tomada após determinação do presidente do STF, Edson Fachin. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado favoravelmente à retirada do sigilo que ainda vigorava sobre o processo.

Fachin havia sido acionado pelo ministro Alexandre de Moraes, que afirmou, em ofício, ser essencial a quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15). Na sessão, o plenário decidirá sobre a abertura de investigação envolvendo Moraes.

Com a nova retirada de sigilo, o STF derrubou o segredo judicial sobre 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

STF analisará mensagens atribuídas a Vorcaro

No julgamento de terça-feira, os ministros devem analisar um relatório da Polícia Federal (PF) que contém 52 mensagens que, segundo os investigadores, teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes. No material, o ex-banqueiro demonstra ter uma relação próxima com o ministro.

As mensagens foram recuperadas do celular apreendido de Vorcaro e teriam sido enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Em uma das mensagens, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, o ex-banqueiro busca informações sobre a operação da Polícia Federal para prendê-lo. Segundo os investigadores, as respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas.

Relatório provocou crise no Supremo

O relatório veio a público no início de setembro, quando André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, retirou o sigilo sobre o material. O episódio desencadeou um embate entre ministros da Corte.

A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório devido a supostas irregularidades em sua produção. Segundo o órgão, o relator não poderia ter autorizado o avanço das investigações sobre um ministro do STF sem informar previamente o plenário.

Moraes pediu investigação contra Mendonça

Em resposta, Alexandre de Moraes divulgou o que classificou como um “relatório de inteligência” da PF, segundo o qual haveria direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça com o objetivo de atingir desafetos políticos.

O documento, contudo, não é assinado nem apresenta o timbre da corporação. A capa também contém um alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”.

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O presidente do Supremo marcou o julgamento desse pedido para 23 de setembro.

Com informações da Agência Brasil